sábado, 15 de outubro de 2016

houve uma altura
em que o céu era sempre cinzento e nostálgico, tal como eu gosto
uma altura em que eu não me importava que o sol queimasse
foram dias bonitos
os dias em que passeava em ti
e tu em mim
os dias em que passeávamos juntos
até hoje não sei do que gostei mais
se de ti, se desses dias
ou se do facto de que nada me perturbava, a não seres tu
eu sentia-me invencível por conseguir despertar a atenção de alguém como tu
que estupidez
estar feliz só por tu me dizeres que eu o merecia
"inês tu mereces o mundo"
pela primeira vez acreditei nisso, porque eras tu a dizê-lo
pus-te num pedestal mais alto que a minha propria vida
esqueci-me da importância que é amar-me a mim mesma
achei que me amavas e pior ainda, achei que isso bastava
mas eu gostei tanto de gostar de ti
e de viver o que vivi
gostei de me sentir amada, obrigada

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

De repente o único ombro em que a tua cabeça perfeitamente se encostava torna-se numa parte estranha de um corpo que já não conheces
Ou porque foste tu que te tornaste estranha
Ou simplesmente porque aquele ombro deixou de querer estar lá
O abraço deixou de ser caloroso
As palavras já quase não existem,e quando existem magoam
De repente a primavera mais bonita do teu ano tornou-se naquela tempestade que sempre te assustou
Talvez porque o susto agora te é de alguma maneira reconfortante
Ou porque a primavera deixou de querer ser acolhedora e fresca como sempre foi
Pode ser o ciclo de todas as coisas, que sempre acreditei serem efémeras
Mas se havia coisa em que eu acreditava mais, era que a magia de nos termos um ao outro seria eterna
Enganei-me
Deixou de ser magia e começou a ser um peso no coração, que não deixa de amar e que sabe que esta coisa que tinhamos, à qual nem sei dar um nome, numa mais vai ser a mesma
O coração deixou de ter outro que o acalmasse, um pouco mais vazio, à deriva
E pior que ver isto murchar é não saber o porquê


terça-feira, 30 de agosto de 2016

procurei pelos teus olhos no meio da multidão. no meio de milhares cabelos loiros eu soube logo qual era o teu, no meio de mil mãos eu soube quais eram as tuas, erguidas bem alto a dançar ao ritmo do resto do corpo, ao som daquela música que eu sabia que te fazia lembrar de mim. mas a música evaporou-se dos meus ouvidos, só ouvia o bater das tuas botas no chão, o meu artista favorito no palco e eu só olhava para ti, tão no teu mundo, tão perdida naquele movimento de cintura que dominavas. estava tão vidrada que o resto do mundo desapareceu, parou por segundos, só tu te mexias. e era assim no resto dos dias, o meu mundo parava sempre que entravas por aquela porta, exausta depois de um dia de trabalho mas mais bonita que nunca, e nem fazias ideia. ias a correr tomar banho com medo que eu deixasse de gostar de ti, mal sabias que a cada dia me apaixonava mais.


sexta-feira, 29 de julho de 2016

grateful for


Acampar é uma das minhas coisas favoritas de fazer, e há poucos dias fui para o meu campismo favorito com duas das minhas melhores amigas. Foi uma experiência muito gira e feliz, que me fez apreciar e perceber como a vida pode ser realmente boa, sem stress.
No contexto, e como estou numa de "only positive vibes", vou enumerar algumas coisas que me deixam feliz e que me fazem estar grata por ter nascido:
Amigos



O meu cão

Festivais


Amesterdão


O pôr-do-sol

Acampar

































quarta-feira, 11 de maio de 2016

Sozinha  na cidade que me engole com toda a sua confusão. Confusão na rua e na cabeça das pessoas que me passam ao lado sem sequer me olharem nos olhos. A cumplicidade perdeu-se. A frieza das pessoas faz-me aflição, milhares à minha volta mas nenhuma comigo, é como se estivéssemos todos num universo paralelo, cada um no seu. Enterrados no nosso egocentrismo, na nossa pressa de chegarmos a casa e mergulharmos num outro universo, ainda mais profundo e individualista. A indiferença congela-me num dia de 30 graus, amo toda a gente tanto como odeio, a culpa é da época em que nasci, insisto. Eu não sou assim, teimo. Sou de todos mas não sou de ninguém, às vezes nem de mim prórpria, naqueles dias em que me meto a olhar pela janela e a imaginar como seria se fosse aquela pessoa que passa na avenida de mãos dadas e apaixonada de uma maneira como nunca estive. Mas e se não está assim tão apaixonada? Às vezes gostava de entrar na mente das pessoas e perceber como funciona. Puxar um gatilho que as fizesse serem mais amigas, mais cheias de compaixão e vontade de viver. Mas depois penso, elas estão a viver, quem está por trás duma janela a querer entrar na cabeça delas sou eu.
Nunca me vou encaixar, eu e metade do mundo, eu e todos aqueles que olham janelas em busca de algo que não têm, eu e aqueles que se refugiam em livros e sublinham frases com o intuito de pegarem nelas e usa-las num futuro que um dia irá chegar, pensam eles, e penso eu sempre que faço o mesmo. Secalhar sou eu que me encaixo, por não compreender o mundo e querer mudá-lo, não é isso que ele precisa? Queria pegar nele e abaná-lo, queria tirar-me a mim e às pessoas da janela e empurra-las para o sitio onde tudo acontece, onde as pessoas se amam e se olham, se tocam sem receio. Existe esse sitio?
Talvez exista e eu não o consiga ver da janela.

sábado, 7 de maio de 2016

6 months celebration

Para explicar este assunto complexo (bem mais complexo do que a maioria acha) é necessário dizer que toda esta opção/modo de vida que é o vegetarianismo/veganismo, vai muito além de algo que, infelizmente, ainda é visto como apenas uma "convicção", uma "opinião". É muito mais que isso. É a saúde do planeta que habitamos que está em jogo e em risco, um risco que todos conhecem mas que apenas uma minoria sabe realmente o porquê. Vai muito além do que nos informam nas noticias, muito além do que todos aqueles supostos ambientalistas discutem nas conferências. Não, não são as luzes que deixamos acesas que fazem a grande diferença, não são os 5 minutos a menos no duche que vão melhorar, não é pôr o mundo todo a andar de bicicleta que vai fazer com que o aquecimento global diminua. Não são só as fábricas. 
Ver um documentário mudou a minha vida, a minha visão, tirou-me todo e qualquer apetite que tinha por aquele hamburguer que eu achava ser a melhor coisa do mundo. Era, até ver. Até conhecer a realidade por trás do que nos dizem e fazem acreditar. Finalmente decidi ganhar coragem e ver aquele grande documentário de que todos falavam, o documentário pelo qual os meus amigos deixaram de comer carne: Cowspiracy. Foi o maior abre olhos da minha vida, nem mais um pedaço de carne pus no meu estômago. Nem mais um, e foi tão fácil. Perceber que a industria pecuária é a grande causa do aquecimento global que aos poucos vai tornando o nosso querido mundo, aquele que todos desejamos viajar, num mundo inabitável, num mundo que já não aguenta, bastou-me para me agoniar de cada vez que sentia o cheiro da carne. Ele está velho, cansado. Nós humanos chegámos e destruimo-lo, nunca me senti tão culpada como me senti após ver aquele documentário. Culpada por não saber, culpada por durante 18 anos ter comido animais, culpada por contribuir para a destruição do mundo onde vivo. O único planeta que nos recebeu, e que a cada dia apodrece. 
Vai muito para além da questão ética de não matar um ser vivo, que sente como nós, isso só por si é desumano, mas não é a questão fulcral. O ponto principal é a sobrevivência do planeta. Isto é o que eu peço que entendam, e espero que vos ajude a perceber o porquê de sermos tão chatos, o porquê de vos tentarmos espetar com as nossas "opiniões" na cara. Não são opiniões, é algo que tem de ser feito. 
É claro que não peço a ninguém que deixe de comer carne, para mim matar animais para meu luxo é mau, mas se para vocês não é, pronto, cada um tem as suas convicções, até aí tudo bem. 
Mas é necessário reduzir, é uma emergência e tem que tocar a todos. 
Vejam o Cowspiracy, é um apelo que faço, a todos os que gostam do mundo onde vivem, aqueles que adoram o ar puro de um jardim, aos que querem ver os filhos e netos viverem num mundo saudável, menos poluído, menos tóxico. Não custa. 
Hoje fazem 6 meses que deixei de contribuir monstruosamente para o aquecimento do planeta, nunca me senti tão bem comigo mesma. 

sábado, 9 de abril de 2016

a minha luta

À medida que os dias passam apercebo-me que nem mesmo aquela pessoa em quem depositamos o nosso próprio mundo é insubstituível. Claro que nunca vai haver ninguém a fazer-me sentir o que essa pessoa me fez sentir, não vai haver outro sorriso igual, momentos iguais. Mas algo novo aparece sempre. 
Aprendi também que a minha felicidade não depende de ninguém, como em dias fiz parecer. Seguiste a tua vida e a minha continua de pé, com a mesma força ou uma ainda maior do que quando achava que o sorriso da minha cara, dependia de ti. Aprendi a deixar de precisar de ti, porque tive de o fazer, obrigaste-me a deixar de te ver como alguém que faz parte da minha vida, como alguém por quem eu queria lutar. Não estás mais ao meu alcance, na verdade nunca estiveste, é disso que me tento lembrar de todas as vezes em que dou por mim a invejar a felicidade da rapariga com quem partilhas tudo o que nunca partilhaste comigo. Não faz sentido ficar chateada por perder algo que nunca me pertenceu. 
Metade do que sentia desapareceu no minuto em que descobri que estavas a partilhar a tua felicidade com outra rapariga, porque metade era saudade do habito, do habito de lutar, de ter algo por que caminhar, de ter uma direcção, um determinado caminho. Esses caminhos fecharam-se, metade do meu coração fechou-se com eles é verdade, mas durante um minuto apenas. Rápido me apercebi que a ideia de te amar era mais real que o amor que sentia por ti. O que me prendia era a luta que gostava de lutar, o que me prendia era a ideia do proposito, de que a minha vida tinha um objetivo que eu achava ser sólido, tu. 
Mas a minha vida é muito mais que isso, pensei logo eu, e nunca a vou deixar parar por algo que nem sequer é real. Porque esta luta nunca foi real, desde o inicio sabia que eras inalcançavel. E então lembrei-me, de mim, dos meus amigos, das coisas boas que estão para vir, e das lutas reais que estou a travar. E por momentos esqueci-me de ti. 
Nunca vais deixar de ser o que és, a pessoa fantástica que me deu tanto gosto conhecer, os dias que passámos não vão ser menos felizes por agora teres alguém com quem partilhar momentos melhores. Continuo a ver em ti tudo aquilo que sempre quis ver em alguém.
 Mas agora a minha luta é diferente, e é real. A luta chama-se a minha vida.

domingo, 27 de março de 2016

Não se trata de seres o rapaz mais bonito que estes olhos já viram, antes de te conhecer nem te olhava duas vezes
Trata-se das conversas que tivemos
Das opiniões que partilhámos e das mensagens que trocámos
Trata-se da cumplicidade e confiança que tinha em ti para te confidenciar segredos que nem os meus melhores amigos sabiam
Era o querer falar contigo sem tempo para pausas
O conforto que sentia cada vez que me ligavas antes de ires dormir
Seres lindo por dentro tornou-te mais bonito que todos os rapazes a quem já mandei olhares
Encontrei uma cara bonita e uma personalidade ainda melhor
Em vez de me babar pela tua cara bonita, vidrei-me nas ideias que tinhas
Fosse para tornar o mundo num sitio melhor ou para uma musica nova
Ficava de queixo em baixo sempre que me apercebia da tua existência, e da sorte que tinha em cruzar-me contigo
Achava que nunca ia encontrar a pessoa dos meus sonhos, e encontrei-te
Mas é algo que não se explica
És como aquelas paisagens bonitas que não nos importamos de ficar a olhar horas a fio
Não existem palavras que façam entender, e ainda bem
Guardo para mim tudo aquilo que não guardaste para ti nas horas que passámos a falar

terça-feira, 15 de março de 2016


Vi-te passar e soube que olhava o amor da minha vida. Mal te conhecia e já estava apaixonada por ti. Estavas do outro lado da estrada sentado num banco a ler um livro cujo nome nem me lembrei de ver, e quando olhei o meu coração quase parou, não estou a exagerar. Parecia que olhava aquela minha metade que andava fugida há 18 anos, atravessei a estrada. Nem vi se o sinal estava verde, sei que consegui atravessar e chegar-me um pouco mais perto. Enquanto atravessava pensei no que te dizer "olha desculpa mas acabei de me apaixonar por ti" "acho que és a minha alma gémea". Nada do que me passava pela cabeça parecia vindo de uma pessoa sana, mas o amor é insano e dizer que te adorava era a única coisa que me ocorria. Cheguei ao outro lado da estrada e congelei, o meu corpo parou, os músculos pareciam ter-se transformado em aço. Afinal olhava o amor da minha vida, tinha acabado de encontrar a pessoa que os filmes falam, a cara metade, e não sabia o que fazer perante a tua presença. Nem quero imaginar a figura que fiz, a olhar fixamente para ti, minutos a fio sem tirar os olhos de cima. Enquanto decidia o que fazer perante a tua presença, tive medo que te fosses embora, que não te apaixonasses por mim como eu por ti, mas pensei, Platão diz que quando duas almas gémeas se encontram não se largam, e eu estava convicta de que eras a minha. Com todas as certezas do mundo, achei que haveria um momento certo para te contar tudo aquilo que tinha sentido quando te vi ali sentado, e enquanto esperava por esse momento, saíste. Saíste do banco do jardim, da minha vista e do meu alcance. Se antes o meu corpo tinha congelado agora o gelo quebrara-se.
Segura de que estávamos destinados a nunca nos largarmos, deixei que me largasses, e assim larguei também qualquer hipótese de te contar que nunca me tinha apaixonado por alguém tão rápido, de forma tão fácil e rebelde. Fizeste-me atravessar a estrada sem olhar para os carros que vinham, isso é amor.

sábado, 12 de março de 2016

I fell in love at the seaside





Apaixonei-me durante aqueles passeios à beira-mar em que a única luz era a da lua, e a tua, que ilumina mais que qualquer sol.

Apaixonei-me quando te comparei com o mar, e percebi que ao pé de ti é só um mar...

Apaixonei-me ao olhar para ti enquanto olhavas para o mar, sem te aperceberes que és ainda mais bonito que ele.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016


Admito, não há dia que passe sem ele a pairar na minha cabeça, secalhar soa meio louco isto, mas tenho a certeza que por cada sitio que passa, e em cada vida que entra, desvia olhares e mexe corações. Pelo menos foi o que aconteceu comigo.
Se o conhecessem achavam-me menos louca, porque em cada alma que toca deixa um bocado da dele, e nem se apercebe disso. Nunca lho disse, e arrependo-me, nunca o felicitei pela capacidade que tem de me fazer perder noites, ele nem sabe que antes dele, gritei em alto e bom som que nunca mais me iria apaixonar. Mas conheci-o, devolveu-me sentimentos e nem desconfia que meses antes eu os achava irrecuperáveis. Foi depois de dizer a todos os meus amigos que nunca mais ia deixar alguém aproximar-se  de mim ao ponto de me poder magoar, que chegou ele com toda a sua simplicidade e esforço nenhum e me fez voltar a ter vontade de viver. E nem imagina. Nem imagina que antes dele eram raras as vezes que saía da cama com vontade própria e que chegava ao fim do dia sem vontade de enfrentar um novo. Até que chegou, me fez sorrir e me fez sentir que por maior que o dia fosse, nunca era suficiente.  Acho que é o que se sente quando gostamos de alguém, não há palavras que cheguem, horas que nos deixem à seca e sonhos melhores que a realidade. Foi aí que me apercebi, quando a realidade começou a ser melhor que qualquer sonho.
Chegaste como um avião prestes a descolar e levaste-me contigo, até um sitio que desconhecia mas do qual não queria saír. Descolaste sem ajuda de qualquer travão, e deste inicio a uma viagem que até hoje ainda não sei qual o destino. Eu fui sem cinto de segurança, não me avisaste que seria atribulada, e feridas já nem as conto pelas mãos.
Mas acho que é isso que acontece quando te apaixonas por um poeta.
Talvez foi por isso que foi tão fácil gostar de ti, eu sempre admirei a arte, e eis que a encontrei em forma de pessoa. 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Avisa-os que vamos embora, viver da tua guitarra e do meu colchão
Avisa que não vamos para nenhum sitio perto daqui, que já nos partiu corações e distorceu mentes
Diz-lhes que vamos ser só nós agora, sem o rebuliço das cidades que deixámos para trás
Vamos na busca de algo que não nos falta, porque juntos já temos tudo
Não interessa para onde, diz-lhes isso, vamos fazer amor em sitios onde nunca ninguém o fez
Atirar aviões de papel sobre rios cujos nomes não se conhecem
Sem fogueiras porque nem o gelo da noite nos arrefece
Amor jovem, fresco e ardente
Ele existe e somos nós





domingo, 21 de fevereiro de 2016

Sonhei que

Sonhei que entre caminhos que não foram feitos para se cruzar, discussões e a minha vontade de te ter ao pé de mim, encontrava-te. Sonhei que por razões que nem a razão conhece, voltávamos a entrar na vida um do outro, desta vez sem mais espaço para saídas. O meu subconsciente ainda consegue ser pior que eu, quando vejo as nossas conversas antigas e revivo aqueles momentos que nem por um segundo me saem da cabeça. Sonhei que era tudo um sonho, que tinha sido sempre tudo perfeito e que andávamos de mãos dadas por uma cidade que nem sei o nome. Tornou-se na minha cidade favorita.
Encontrei-te numa rua em que as paredes eram feitas de boas memórias, onde não havia espaço para todas as vezes que me deixaste com palavras por dizer e sentimentos por expressar. Via-te e dizia, explicava, mostrava tudo aquilo que nunca tive coragem de mostrar antes, porque talvez foi isso que faltou. Dizer-te que precisava de ti, que eras o melhor rapaz que já tinha conhecido em toda a minha vida e que a tua alma fazia a minha andar aos s's. Sonhei que finalmente tinha a oportunidade de te dizer. Talvez se soubesses um bocado do que sinto por ti, não me deixavas ficar assim.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Teve de ir, o amor não foi feito para nós.


Já tentei explicar o que sentia quando falavas dos filmes que gostavas e das pessoas que admiravas. Já tentei explicar como era quando ouvia as músicas que cantas, como derretia ao ver-te nos concertos, a seres o rapaz único que és e a agires como tal, como só tu ages.
Já tentei fazê-los perceber o quanto o meu corpo tremia sempre que me ligavas a meio da noite só porque sim, porque te apetecia.
E de todas as vezes eu atendi, às 2h ou às 5h da manhã, porque eras tu, e eu adorava perder horas de sono por mais uns ecos da tua voz.
Depois de tempos a tentar explicar tudo isto desisti, desisti porque cheguei à conclusão que esta coisa, isto que nunca soube o que era, não se explica. Nós, não era algo que se explicasse, e nós nunca o questionámos
Mas deviamos, deviamos porque este nós que nunca soubemos explicar o que era, começou a tornar-se num eu, num tu. Cada um tirava as suas conclusões, e as minhas eram que te queria muito perto.
E eu tirei conclusões precipitadas, nas tuas viagens até cá, nos sorrisos e na cumplicidade, que de facto existia.
Depois de tudo isto desisti.
Desisti de negar, porque a tua falta arde, porque os teus olhos ainda estão presentes e porque de tantas conclusões, a maior a que cheguei é que apaixonar-me por a alma de alguém não se mede através de palavras.





terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Acordei com a pessoa que me fazia o corpo tremer só de ouvir falar.
Acordei e estavas ao meu lado, ainda a dormir. Não me esqueço, nunca dormi tão bem.
Hoje acordo, olho para o lado e lembro-me que as nossas vidas seguiram rumos separados, se foi erro meu não sei, mas nunca me senti tão culpada por deixar alguém ir. Se soubesse tinha-te agarrado aqui, à cidade que se tornava tão bonita nos dias em que passeávamos nela. Mas gostar é saber deixar ir, e tu és um pássaro com demasiada vontade de ser livre para te agarrares a qualquer que seja a cidade. Por isso dei-te dois beijinhos e vi-te partir, com um sorriso na cara e já meio vazia por dentro, por não saber se te voltaria a encontrar.
Parece que adivinhei.
Mas fico tão feliz por me ter cruzado contigo naqueles dias, por termos partilhado sorrisos e manhãs de ressaca. Foste a maneira de a vida me mostrar que afinal existem, aquelas pessoas que só vemos nos filmes, e se não vieste para ficar, vieste para me ensinar. Eu posso voltar a amar, o rapaz dos meus sonhos existe, e se um dia achei que eras tu, a vida há-de provar o contrário. E por mais que eu gostasse que fosses tu, amar é aceitar, e eu aceito que queiras voar para longe daquilo que um dia, eventualmente, nos fez feliz aos dois.

Acordei sem ti e acordei feliz, deixei-te ir e só quero que também encontres alguém que te faça o corpo tremer, como me fizeste a mim. Que um dia acordes ao lado de alguém tão feliz como eu quando acordei contigo.
Por enquanto vou-me lembrando, das guitarradas, das cantorias pela casa, dos concertos, dos sois que vimos nascer e das noites que vimos chegar. Foste mas eu nunca te esqueço. Que as boas memórias fiquem sempre, e que nunca te esqueças da casa à qual já conheces os cantos.
 Se a vida nos quiser voltar a ver a passear juntos, lembra-te que tens aqui uma cama onde dormir.
Adoro-te e nunca me esqueço, M.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

when you planted flowers inside of me I thought you were going to water them too




Chega sempre uma altura em que a única coisa que pensamos é em conhecer alguém novo, alguém que nos traga novos sorrisos, novas aventuras, que nos desperte aquele sentimento que por alguma razão se encontra adormecido. Chega uma altura em já sentimos falta de sentir aquele carinho por alguém, que temos aquela ânsia de lutar pela atenção da pessoa que finalmente trouxe de volta as tais emoções, os tais sentimentos. Até que acontece, que aparece, que existe. E é quase como um ciclo vicioso afinal de contas, um sai, deixamos de sentir, outro entra, até que eventualmente desaparece outra vez, a pessoa, e o sentimento.
Nos entretantos é uma luta diária. Espero que nunca perca o interesse em mim, espero que não se farte da minha voz, espero que não diga o que me diz a mim, a mais ninguém. Essa pessoa aparece, e fica, não interessa por quanto tempo, quando damos por nós já faz parte. Dos dias, das noites, do telemóvel, Até que eventualmente passa a fazer parte de nós, do coração que já bate por um motivo e não só porque tem de bater, da cabeça que já só pensa numa coisa. A quem nunca aconteceu? Eu acho que já todos fizemos parte desta coisa tão bonita que é conhecer alguém que nos voltou a preencher, a encher, a sentir e a cantar músicas românticas pela casa. Andamos mais alegres, com mais vontade de vida, mais sede de tempo, o tempo torna-se sempre escasso; Deixamos de querer dormir, porque a realidade começa a ser mais bonita do que qualquer sonho. É tudo muito bonito, de facto, um dia cinzento nunca nos pareceu tão brilhante.
E claro, esperamos que tudo isto seja para ficar, para durar, queremos que o vazio permaneça completo. O pior é quando não acontece, o pior é quando um dia acordamos e não está lá a mensagem dos dias anteriores, e o dia decorre sem qualquer sinal, até que por fim chegamos à noite já em desespero, a pensar em todos os cenários possiveis, mas sempre a pôr de parte o mais óbvio: fartou-se, mudou de ideias, afinal não gosta assim tanto. Dia seguinte, nada. Passados dias chegamos finalmente à óbvia conclusão, a que já tinhamos chegado há muito tempo. E como se nada fosse uma coisa que era bonita torna-se no mesmo de sempre, no vazio, nos dias em que o tempo não passa, na cara sem sorriso nela. Até que eventualmente deixamos outra vez de sentir.
E eu só quero que esse dia chegue.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

pontos nos is

Porque é que insistimos em sexo sem amor? Em amor que não acelera o coração? Porque é que continuamos a bater no ceguinho com amizades que já nem uma gargalhada nos dão? Pontos nos is e és só tu quem eu quero, porque é que ainda perco tempo a forçar sentimentos por uma pessoa que não me arrepia só de ouvir falar? És tu que me pões cabelos e pêlos em pé. O meu coração só tem um mini ataque cardiaco quando é do teu nome que falam, quando é a ti que vejo sair do comboio, com aquele passo trocado e as roupas xxl. Nem nego mais que és tu, que é a ti e por ti. És tu quem eu quero, é a ti que chamo nas noites em que nem a lua me compreende e é por ti que tapava os meus olhos a todas as estrelas se fosse isso que me deixasse olhar para ti 24/7.
As vezes penso, quem me dera apaixonar por este que fode bem e cozinha para mim, quem me dera gostar daquele que anda direito e toca piano. Mas depois vejo-te a ti. Vejo-te a ti e penso, quem me dera que te apaixonasses por mim, que os meus pais já gostam de ti, que és tu que me deixas a puxar cabelos e a limpar lágrimas. Que o amor é assim, não se pode tratar de quem precisamos. Trata-se de quem imaginamos a nosso lado a partir pratos no chão, a lançar aviões de papel na janela e a chegar ao fim do dia e pensar "foda-se que não és nada daquilo que preciso, mas és tudo aquilo que eu quero". Quero chegar ao fim do dia cansada não de foder outro mas de dançar contigo ao som daquelas músicas todas que já me mostraste e que eu nunca me esqueci.
Pôr os pontos nos is e admitir para mim mesma que gosto de ti, e que és o unico a fazer sentir-me assim.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

desabafo


Ando a descobrir-me a mim própria. Chega do tempo em que descobria os outros enquanto nem metade de mim conhecia. Estou a conhecer-me e acho que todos devíamos ter esse tempo. O tempo da descoberta, não a descoberta da noite, do alcool ou do sexo, a nossa descoberta. E eu falo de algo mais profundo do que descobrir a minha bebida favorita. Ando a descobrir o caminho que devo seguir, sozinha, sem bocas externas e opiniões alheias. Ando a descobrir o que preciso para ser realmente feliz, e a descartar as coisas fúteis que me fazem infeliz. Estou a aprender a gostar de mim, de quem sou, da pele que me veste, ando a aprender a gostar de mim além daquilo que os outros gostam. Ando a tentar perceber qual a melhor maneira de ser, qual a minha maneira de ser. Se antes haviam pessoas ou caminhos que me puxavam, hoje sou eu a puxar-me a mim mesma para onde sei que devo andar. E se acham que passar tempo a descobrir-me é inútil, digo-vos que nunca aprendi tanto sobre mim mesma. Digo-vos que nunca gostei tanto de mim. E não há nada mais importante que gostarmos do que somos. É tão bom ter este tempo para nós, mas é tão mau quando não o entendem. Não entendem que eu, enquanto miúda de 18 anos preciso do meu tempo, não preciso de ninguém atrás de mim a dizer "és isto e aquilo" "não fazes nada" "faz alguma coisa". Tenho tempo. Mas é raro ter tempo para me encontrar. Deixem-me ter este tempo. Deixem-me encontrar, gostar de mim como nunca tinha gostado. Deixem-me ser. 


Leave it to me as I find a way to be 
Consider me a satellite forever orbiting
I know all the rules but the rules did not know me

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

perguntaram-me o que via em ti

Gostava que neste novo ano a vida ou o destino ou o que quer que seja que nos segura, te trouxesse de novo até mim, com a diferença que agora é para ficares. Queria voltar um ano atrás, quando decidiste entrar na minha vida, e nem acredito que já passou um ano. Nada nos segurou, não nos segurámos, tu não quiseste. Gostava de voltar às manhãs que valiam a pena, às aulas que se tornavam suportáveis porque no fim tinha-te a ti para falarmos. E falávamos sobre tanta coisa. Neste novo ano queria que viesses, e que não voltasses a ir. Queria esquecer todo o mal que já me fizeste passar, todas as palavras que ficaram por dizer: queria dizê-las. Nuas e cruas. Queria pôr para trás das costas todo o peso dos segredos que não me contaste. Quero-te. Continuo a querer. Passou um ano. Mas apenas alguns meses desde que me apercebi, que te queria, o peso que tinhas, que as minhas pernas afinal tremiam por tua causa.
Um dia perguntaram-me o que via em ti, e o que tinhas de especial para continuar agarrada a ti. Nunca quis explicar, eles nunca iriam entender. Em ti vejo sonhos que nunca imaginem serem reais, vejo aquela pessoa que vemos nos filmes e pensamos "não existe na vida real", vejo um poeta e acima de tudo um poema. O meu poema preferido, que não me importava de ler e reescrever vezes sem conta. Vejo algo que nunca tinha visto até te ter conhecido, e esta deve ser a melhor maneira de te descrever. Um dia perguntaram-me porque é que gostava de ti, e as milhares de palavras que me vinham à mente não as soube passar para fora. Eles nunca vão saber, nem lhes passa pela cabeça, mesmo que já lhes tenha falado mil e uma vezes de como a tua voz me dava arrepios, de como quando olhava para ti deixava de saber andar.
Perguntaram-me e eu disse: vejo-o a ele. E via-me a mim de mão dada com ele, via-me a mim a deixar-me agarrar, a deixar que ele me mexesse no cabelo. Via-me a ler-lhe tudo o que já escrevi. Via-nos em tardes de chuva a ouvir joy division. E não me vejo a fazer isso com mais ninguém.
O que vejo em ti é tudo aquilo que nunca vi em ninguém.

Quero escrever sobre ti, sem medos. Dizer-lhes que és a voz que mais gosto de ouvir, a única de que não me canso. Gritar que nunca conheci a...