sexta-feira, 7 de outubro de 2016

De repente o único ombro em que a tua cabeça perfeitamente se encostava torna-se numa parte estranha de um corpo que já não conheces
Ou porque foste tu que te tornaste estranha
Ou simplesmente porque aquele ombro deixou de querer estar lá
O abraço deixou de ser caloroso
As palavras já quase não existem,e quando existem magoam
De repente a primavera mais bonita do teu ano tornou-se naquela tempestade que sempre te assustou
Talvez porque o susto agora te é de alguma maneira reconfortante
Ou porque a primavera deixou de querer ser acolhedora e fresca como sempre foi
Pode ser o ciclo de todas as coisas, que sempre acreditei serem efémeras
Mas se havia coisa em que eu acreditava mais, era que a magia de nos termos um ao outro seria eterna
Enganei-me
Deixou de ser magia e começou a ser um peso no coração, que não deixa de amar e que sabe que esta coisa que tinhamos, à qual nem sei dar um nome, numa mais vai ser a mesma
O coração deixou de ter outro que o acalmasse, um pouco mais vazio, à deriva
E pior que ver isto murchar é não saber o porquê


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