terça-feira, 15 de março de 2016


Vi-te passar e soube que olhava o amor da minha vida. Mal te conhecia e já estava apaixonada por ti. Estavas do outro lado da estrada sentado num banco a ler um livro cujo nome nem me lembrei de ver, e quando olhei o meu coração quase parou, não estou a exagerar. Parecia que olhava aquela minha metade que andava fugida há 18 anos, atravessei a estrada. Nem vi se o sinal estava verde, sei que consegui atravessar e chegar-me um pouco mais perto. Enquanto atravessava pensei no que te dizer "olha desculpa mas acabei de me apaixonar por ti" "acho que és a minha alma gémea". Nada do que me passava pela cabeça parecia vindo de uma pessoa sana, mas o amor é insano e dizer que te adorava era a única coisa que me ocorria. Cheguei ao outro lado da estrada e congelei, o meu corpo parou, os músculos pareciam ter-se transformado em aço. Afinal olhava o amor da minha vida, tinha acabado de encontrar a pessoa que os filmes falam, a cara metade, e não sabia o que fazer perante a tua presença. Nem quero imaginar a figura que fiz, a olhar fixamente para ti, minutos a fio sem tirar os olhos de cima. Enquanto decidia o que fazer perante a tua presença, tive medo que te fosses embora, que não te apaixonasses por mim como eu por ti, mas pensei, Platão diz que quando duas almas gémeas se encontram não se largam, e eu estava convicta de que eras a minha. Com todas as certezas do mundo, achei que haveria um momento certo para te contar tudo aquilo que tinha sentido quando te vi ali sentado, e enquanto esperava por esse momento, saíste. Saíste do banco do jardim, da minha vista e do meu alcance. Se antes o meu corpo tinha congelado agora o gelo quebrara-se.
Segura de que estávamos destinados a nunca nos largarmos, deixei que me largasses, e assim larguei também qualquer hipótese de te contar que nunca me tinha apaixonado por alguém tão rápido, de forma tão fácil e rebelde. Fizeste-me atravessar a estrada sem olhar para os carros que vinham, isso é amor.

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