quarta-feira, 11 de maio de 2016

Sozinha  na cidade que me engole com toda a sua confusão. Confusão na rua e na cabeça das pessoas que me passam ao lado sem sequer me olharem nos olhos. A cumplicidade perdeu-se. A frieza das pessoas faz-me aflição, milhares à minha volta mas nenhuma comigo, é como se estivéssemos todos num universo paralelo, cada um no seu. Enterrados no nosso egocentrismo, na nossa pressa de chegarmos a casa e mergulharmos num outro universo, ainda mais profundo e individualista. A indiferença congela-me num dia de 30 graus, amo toda a gente tanto como odeio, a culpa é da época em que nasci, insisto. Eu não sou assim, teimo. Sou de todos mas não sou de ninguém, às vezes nem de mim prórpria, naqueles dias em que me meto a olhar pela janela e a imaginar como seria se fosse aquela pessoa que passa na avenida de mãos dadas e apaixonada de uma maneira como nunca estive. Mas e se não está assim tão apaixonada? Às vezes gostava de entrar na mente das pessoas e perceber como funciona. Puxar um gatilho que as fizesse serem mais amigas, mais cheias de compaixão e vontade de viver. Mas depois penso, elas estão a viver, quem está por trás duma janela a querer entrar na cabeça delas sou eu.
Nunca me vou encaixar, eu e metade do mundo, eu e todos aqueles que olham janelas em busca de algo que não têm, eu e aqueles que se refugiam em livros e sublinham frases com o intuito de pegarem nelas e usa-las num futuro que um dia irá chegar, pensam eles, e penso eu sempre que faço o mesmo. Secalhar sou eu que me encaixo, por não compreender o mundo e querer mudá-lo, não é isso que ele precisa? Queria pegar nele e abaná-lo, queria tirar-me a mim e às pessoas da janela e empurra-las para o sitio onde tudo acontece, onde as pessoas se amam e se olham, se tocam sem receio. Existe esse sitio?
Talvez exista e eu não o consiga ver da janela.

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