Chega sempre uma altura em que a única coisa que pensamos é em conhecer alguém novo, alguém que nos traga novos sorrisos, novas aventuras, que nos desperte aquele sentimento que por alguma razão se encontra adormecido. Chega uma altura em já sentimos falta de sentir aquele carinho por alguém, que temos aquela ânsia de lutar pela atenção da pessoa que finalmente trouxe de volta as tais emoções, os tais sentimentos. Até que acontece, que aparece, que existe. E é quase como um ciclo vicioso afinal de contas, um sai, deixamos de sentir, outro entra, até que eventualmente desaparece outra vez, a pessoa, e o sentimento.
Nos entretantos é uma luta diária. Espero que nunca perca o interesse em mim, espero que não se farte da minha voz, espero que não diga o que me diz a mim, a mais ninguém. Essa pessoa aparece, e fica, não interessa por quanto tempo, quando damos por nós já faz parte. Dos dias, das noites, do telemóvel, Até que eventualmente passa a fazer parte de nós, do coração que já bate por um motivo e não só porque tem de bater, da cabeça que já só pensa numa coisa. A quem nunca aconteceu? Eu acho que já todos fizemos parte desta coisa tão bonita que é conhecer alguém que nos voltou a preencher, a encher, a sentir e a cantar músicas românticas pela casa. Andamos mais alegres, com mais vontade de vida, mais sede de tempo, o tempo torna-se sempre escasso; Deixamos de querer dormir, porque a realidade começa a ser mais bonita do que qualquer sonho. É tudo muito bonito, de facto, um dia cinzento nunca nos pareceu tão brilhante.
E claro, esperamos que tudo isto seja para ficar, para durar, queremos que o vazio permaneça completo. O pior é quando não acontece, o pior é quando um dia acordamos e não está lá a mensagem dos dias anteriores, e o dia decorre sem qualquer sinal, até que por fim chegamos à noite já em desespero, a pensar em todos os cenários possiveis, mas sempre a pôr de parte o mais óbvio: fartou-se, mudou de ideias, afinal não gosta assim tanto. Dia seguinte, nada. Passados dias chegamos finalmente à óbvia conclusão, a que já tinhamos chegado há muito tempo. E como se nada fosse uma coisa que era bonita torna-se no mesmo de sempre, no vazio, nos dias em que o tempo não passa, na cara sem sorriso nela. Até que eventualmente deixamos outra vez de sentir.
E eu só quero que esse dia chegue.
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