domingo, 20 de dezembro de 2015

wreck

Na pressa de encontrar alguém tropecei em ti, e por coincidência eras o tipo de gajo em quem sempre imaginei tropeçar: sem querer saber o que os outros pensam, banda de rock, o mais desajeitado no meio da multidão, o sonho de uma rapariga como eu que não quer saber do que os outros pensam, a mais desajeitada no meio da multidão e que adora um bom rock. Eis que surges tu, e agora por mais bocas que beije a tua é aquela que desejo, por mais mãos que me toquem o único toque que cravo é o teu. Ando pela minha cidade a desejar andar na tua, troco olhares com estranhos na esperança de ver neles um pouco da tua estranheza, feita parva ainda imagino que um dia vais aparecer aqui e dizer "afinal és tu". Quem me dera ser eu. Porque eu acho que és tu.
Cruzo esquinas e vejo-te a ti, um pouco no cabelo daquele, mais um bocado no sorriso do outro. Oiço músicas e oiço-te a ti, um certo tom na voz dele, que me faz lembrar a tua. Faz-me lembrar a tua, na altura das chamadas que duravam madrugadas, lembras-te? Quando me ligavas e me tiravas o sono. As insónias que já me deste, a relembrar a tua voz repetidamente na minha memória, a relembrar tudo aquilo que podíamos ter sido, e não fomos, a perguntar-me porquê? Conhecer tal alma e não poder ocupar um pouco dela. Será que sou a única miúda a querer dar-te o mundo? A ver em ti aquilo que vejo? A gostar da tua maneira de andar? Pergunto-me se quando olham para ti também não conseguem tirar os olhos de cima. És tudo aquilo que sempre quis e que agora não posso ter. E odeio-te por isso.

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