domingo, 27 de dezembro de 2015

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Depois de me terem partido o coração em pedaços que nunca voltei a encontrar, dei por mim a arranhar lençois com medo de me apaixonar outra vez. E quem me dera que os lençois arranhados fossem resultado de uma boa foda, mas como disse Pessoa "fodeu-me a vida e nem uma foda foi capaz de me dar".
Arranhei lençois nas noites em que demoravas mais tempo do que o habitual a responder às mensagens, e tudo me passava na cabeça, e a única conclusão a que chegava era que já não me lembrava de me sentir assim há imenso tempo. Desde o tempo daquele gajo que me deixou a um canto, completamente desamparada e sem chão. Depois dele achei-me incapaz de voltar a pronunciar certas palavras, de partilhar certas partes do que sou e de me expor àquele sentimento que acabara de destruir parte de mim.
Quando dei por mim já associava músicas a ti, já via filmes a imaginar como seria se os estivesses a ver comigo, ja admirava certas pessoas só pela maneira como me falavas delas. Depois de meses e meses a medo, voltei a deixar que alguém me fizesse sorrir, rir, sentir. Voltei a ficar exposta a sentimentos com os quais já não sabia lidar e aí vieram as noites em branco, os arranhões a mim própria, a incerteza do que queria. Mas eu sabia bem o que queria, queria-te a ti.
Foi quando comecei a gostar mais de ti do que me odiava a mim que decidiste ir embora. E todo o medo voltou a fazer sentido, tudo aquilo que tinha tentado conter saiu, e tu saíste tambem. Desculpaste-te com a conversa do costume "não és tu, sou eu" "o meu passado não está resolvido" "só quero que sejas feliz". Eu queria ser feliz contigo.
Sabes o pior? Fazeres-me acreditar que o teu coração batia tanto quanto o meu durante aquelas chamadas a meio da noite. Só o meu batia assim, só eu perdi noites de sono por mais um eco da tua voz, por mais um olhar sobre a tua cara no meu computador.
Lutei tanto contra a ideia de me apaixonar outra vez que quando dei por mim as tuas ausências já eram mais fortes que qualquer luta que eu tentava travar, e nas noites em que me cansava de lutar contra o que era já obvio, cedi. Cedi à tua diferença, cedi a ti porque há sentimentos que não se negam. Não sei dizer se realmente me apaixonei, ou se estava mais apaixonada pela ideia de me voltar apaixonar, o que posso dizer é que continuo a querer que me mandes mensagens como mandavas antes, que me voltes a ligar a meio da noite, que me tires noites de sono. A ideia de uma noite mal dormida sabe-me melhor que a tua ausência que já é uma constante nas poucas vezes que decides perguntar como vai a minha vida. E eu respondo que vai boa, mas esqueço-me de dizer que faltas tu nela.

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