Depois de me terem partido o coração em pedaços que nunca voltei a encontrar, dei por mim a arranhar lençois com medo de me apaixonar outra vez. E quem me dera que os lençois arranhados fossem resultado de uma boa foda, mas como disse Pessoa "fodeu-me a vida e nem uma foda foi capaz de me dar".
Arranhei lençois nas noites em que demoravas mais tempo do que o habitual a responder às mensagens, e tudo me passava na cabeça, e a única conclusão a que chegava era que já não me lembrava de me sentir assim há imenso tempo. Desde o tempo daquele gajo que me deixou a um canto, completamente desamparada e sem chão. Depois dele achei-me incapaz de voltar a pronunciar certas palavras, de partilhar certas partes do que sou e de me expor àquele sentimento que acabara de destruir parte de mim.
Quando dei por mim já associava músicas a ti, já via filmes a imaginar como seria se os estivesses a ver comigo, ja admirava certas pessoas só pela maneira como me falavas delas. Depois de meses e meses a medo, voltei a deixar que alguém me fizesse sorrir, rir, sentir. Voltei a ficar exposta a sentimentos com os quais já não sabia lidar e aí vieram as noites em branco, os arranhões a mim própria, a incerteza do que queria. Mas eu sabia bem o que queria, queria-te a ti.
Foi quando comecei a gostar mais de ti do que me odiava a mim que decidiste ir embora. E todo o medo voltou a fazer sentido, tudo aquilo que tinha tentado conter saiu, e tu saíste tambem. Desculpaste-te com a conversa do costume "não és tu, sou eu" "o meu passado não está resolvido" "só quero que sejas feliz". Eu queria ser feliz contigo.
Sabes o pior? Fazeres-me acreditar que o teu coração batia tanto quanto o meu durante aquelas chamadas a meio da noite. Só o meu batia assim, só eu perdi noites de sono por mais um eco da tua voz, por mais um olhar sobre a tua cara no meu computador.
Lutei tanto contra a ideia de me apaixonar outra vez que quando dei por mim as tuas ausências já eram mais fortes que qualquer luta que eu tentava travar, e nas noites em que me cansava de lutar contra o que era já obvio, cedi. Cedi à tua diferença, cedi a ti porque há sentimentos que não se negam. Não sei dizer se realmente me apaixonei, ou se estava mais apaixonada pela ideia de me voltar apaixonar, o que posso dizer é que continuo a querer que me mandes mensagens como mandavas antes, que me voltes a ligar a meio da noite, que me tires noites de sono. A ideia de uma noite mal dormida sabe-me melhor que a tua ausência que já é uma constante nas poucas vezes que decides perguntar como vai a minha vida. E eu respondo que vai boa, mas esqueço-me de dizer que faltas tu nela.
domingo, 27 de dezembro de 2015
sábado, 26 de dezembro de 2015
domingo, 20 de dezembro de 2015
wreck
Na pressa de encontrar alguém tropecei em ti, e por coincidência eras o tipo de gajo em quem sempre imaginei tropeçar: sem querer saber o que os outros pensam, banda de rock, o mais desajeitado no meio da multidão, o sonho de uma rapariga como eu que não quer saber do que os outros pensam, a mais desajeitada no meio da multidão e que adora um bom rock. Eis que surges tu, e agora por mais bocas que beije a tua é aquela que desejo, por mais mãos que me toquem o único toque que cravo é o teu. Ando pela minha cidade a desejar andar na tua, troco olhares com estranhos na esperança de ver neles um pouco da tua estranheza, feita parva ainda imagino que um dia vais aparecer aqui e dizer "afinal és tu". Quem me dera ser eu. Porque eu acho que és tu.
Cruzo esquinas e vejo-te a ti, um pouco no cabelo daquele, mais um bocado no sorriso do outro. Oiço músicas e oiço-te a ti, um certo tom na voz dele, que me faz lembrar a tua. Faz-me lembrar a tua, na altura das chamadas que duravam madrugadas, lembras-te? Quando me ligavas e me tiravas o sono. As insónias que já me deste, a relembrar a tua voz repetidamente na minha memória, a relembrar tudo aquilo que podíamos ter sido, e não fomos, a perguntar-me porquê? Conhecer tal alma e não poder ocupar um pouco dela. Será que sou a única miúda a querer dar-te o mundo? A ver em ti aquilo que vejo? A gostar da tua maneira de andar? Pergunto-me se quando olham para ti também não conseguem tirar os olhos de cima. És tudo aquilo que sempre quis e que agora não posso ter. E odeio-te por isso.
Cruzo esquinas e vejo-te a ti, um pouco no cabelo daquele, mais um bocado no sorriso do outro. Oiço músicas e oiço-te a ti, um certo tom na voz dele, que me faz lembrar a tua. Faz-me lembrar a tua, na altura das chamadas que duravam madrugadas, lembras-te? Quando me ligavas e me tiravas o sono. As insónias que já me deste, a relembrar a tua voz repetidamente na minha memória, a relembrar tudo aquilo que podíamos ter sido, e não fomos, a perguntar-me porquê? Conhecer tal alma e não poder ocupar um pouco dela. Será que sou a única miúda a querer dar-te o mundo? A ver em ti aquilo que vejo? A gostar da tua maneira de andar? Pergunto-me se quando olham para ti também não conseguem tirar os olhos de cima. És tudo aquilo que sempre quis e que agora não posso ter. E odeio-te por isso.
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Conexão mental
Há sentimento pior que querer e não poder?
Há dor pior que "podia resultar mas não resultou"?
Desde pita achava que nunca iria encontrar alguém que fosse sequer um bocado parecido comigo, que gostasse nem que fosse de metade dos filmes lamechas que gosto, nunca pensei conhecer uma pessoa a quem passasse na cabeça pensamentos parecidos aos que na minha passam, alguém que arranhasse portas pelo mesmo motivo que eu, mas a verdade é que aconteceu. Bonito. Mais trágico que bonito. Porque por melhor que seja encontrar alguém que é tudo aquilo que nunca imaginamos existir, de bonito nada tem sermos um grande nada na vida desse alguém. Nada mais trágico. Nada mais frustrante. Pergunto-me porquê, porquê tu então? Chegaste, fizeste-me gostar mais de ti do que me odeio a mim, e foste embora. E o ódio por mim continua o mesmo, e não deixei de achar que és igual a mim. Porque por mais orgasmos que uma pila me dê, são os que a tua mente me dá que me deixam sem palavras, e esses são os melhores, melhor que qualquer atração futil foi a conexão que sentia sempre que descobria o monte de coisas que temos em comum.
Se soubesses como todos os dias repetia para mim mesma "és bom demais para ser verdade". Afinal tinha razão, era bom demais para ser real aquilo, se é que chegou a ser alguma coisa. Já me atrevia a dizer "nós", mas tu começaste a fugir da miuda que te queria dar o mundo e nem um sorriso conseguiu. É assim tão errado, querer dar-te o mundo? Desculpa se te assustei, também me assustaste quando apareceste e percebi que podias ser tu, não sabes metade das noites que passei em branco a pensar "não me posso apaixonar outra vez". Não me apaixonei, não deixei, não deixaste.
Se algum dia, numa melhor altura, os nossos caminhos se cruzarem, olha-me nos olhos e tenta, por favor tenta, perceber a razão que me fez achar que podias ser tu.
domingo, 6 de dezembro de 2015
arte
Escreves tão bem, dizem eles, mal sabem que por trás de palavras bonitas e frases bem construídas está uma mente distorcida, cansada, para a qual o único alivio é passar um pouco do que vai nela para o papel.
A arte vem de pensamentos riscados, vem de quem muito pensa e tem medo de falar em bom som
A poesia serve aos corações partidos, que a escrevem para aliviar, e que a lêem para perceber que afinal não estão sozinhos
A poesia está num dia cinzento, na mancha de vinho derramado nos lençóis, nas lágrimas que disfarçamos nas idas à casa de banho
A poesia é de quem ama com corpo e alma, e mais importante com coração, os amantes são poetas, que desenham com os lábios no corpo dos que amam, que pegam no lápis às 3h da madrugada com o eyeliner a escorrer pela cara,
Poemas escrevo eu naquelas noites de insónias em que só o teu nome me ocorre, e o meu corpo treme com falta de sono, e os meus olhos deitam o que a alma já não aguenta conter
E essas noites são arte, a arte de ficar acordada a pensar naquele gajo que não nos quer, meninas eu sei que vocês conhecem esta, que nos fode e nos faz escrever poesia
Arte é dor, arte são noites mal dormidas e amores não correspondidos
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Vamos fujir. Daqui, do que fomos, do que fazemos, de quem somos, vamos sair daqui porque esta cidade não tem nada para mim. Nada que me preencha, que me aqueça quando tenho frio, que me junte os pés à terra quando a cabeça se encontra a flutuar, e a minha quando flutua não pára, e leva-me a lugares que não quero, a sitios onde já estive e aos quais prometi não voltar. Tirem-me daqui, ajudem-me a sair, porque esta cidade nada me traz além de sofrimento e cores cinzentas. E eu adoro o cinzento de um céu coberto de nuvens mas nem isso eu suporto aqui. Levem-me e não me tragam de volta, levem-me para longe das memórias, deste abismo que me engole a cada passo que dou pelas ruas que visitámos, não suporto revisitar-te, revisitar-nos. É como se as ruas me engolissem, como se o passeio que piso se quebrasse, e eu quebro com ele. Quebro-me, por fora, por dentro, não sou nada além de pedaços que se partiram ao longo das horas em que esperei por um sinal teu. Nada mais, nada menos, é assim que me sinto hoje, que me senti ontem. Fizeste-me tão bem e já me estás a fazer tão mal. E agora que faço à casa cheia de ecos da tua voz? Que faço aos espelhos em que te olhaste, aos sitios onde te sentaste e às paredes que tocaste? Tirem-me daqui que não suporto estar dentro deste pedaço de cimento que só soa a um nome, ao teu.
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