domingo, 18 de outubro de 2015
Corro pela cidade, corro até que deixe de ser cidade, chego a um descampado e continuo a correr, quem me vê fica a olhar não sei se com preocupação ou com a ideia de que sou maluca. De facto nunca corri assim e nem sequer me estou a reconhecer, normalmente não teria este fôlego todo. Mas hoje corro por um motivo diferente, um motivo tão forte que me leva a nunca querer parar, e eu continuo, continuo até entrar noutra cidade na qual nunca tinha estado, entro no desconhecido, não me importo, tantas vezes que já me perdi... Em pessoas, em sonhos, perder-me em cidades não me assusta. 50 minutos seguidos a correr, quando finalmente paro respiro tão fundo quanto posso, bebo água e absorvo tudo o que se passa: os 50 minutos que acabei de correr, a cidade que desconheço. Nunca me senti tão livre, tão capaz, naquele momento podia jurar que o mundo me pertencia. Depois de tudo absorvido, penso no motivo que me levou a correr tudo aquilo, não, não foste tu, não corri por ti, ou para te tirar de mim. Corri por mim, corri por uma nova etapa da minha vida, por uma etapa em que nem tu nem o cansaço das pernas me impedem de fazer o que quer que seja. Corri e consegui. Corri e sinto-me como nova, quase que renasci. E tu já não estás, não estás cá nem estás em mim. Mas eu sou feliz, comigo.
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