Quero escrever sobre ti, sem medos. Dizer-lhes que és a voz que mais gosto de ouvir, a única de que não me canso. Gritar que nunca conheci alma tão pura, que logo no primeiro dia roubou um bocado da minha. A maneira como andas, sem ligares a nada do que está à tua volta. O mundo é teu e eu, tal como todos eles, sou escrava desse andar. Admito, podia olhar para ti um dia inteiro, esses olhos cor de madeira escura que me engolem sempre que passam pelos meus. Quero dar-te festinhas no cabelo até começares a acreditar que mereces muito mais do que aquilo que algum dia te deram. Envolver-te no meu casaco até que, pela primeira vez, te sintas amada. Dançar contigo até o sol nascer, olhos nos olhos, porque os teus são os meus favoritos.
Fazer-te sentir segura, protegida contra este mundo e as pessoas que habitam nele, que tanto mal te fizeram.
Dizer-te que não faz mal sentires-te perdida, porque a vida é isso, correr até esbarrar em alguém que esteja tão perdido como tu.
Juntas isso não importa.
Talvez se acreditar com muita força, passe a ser real.
sexta-feira, 7 de julho de 2017
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