sábado, 13 de setembro de 2014


Caímos no chão, cansados de dançar ao som daquela música que ouvimos vezes e vezes sem conta apenas porque sim. Ao cair, caíste ao meu lado e reparei pela primeira vez no quão bonitos e profundos são os teus olhos, verdes quase azuis, a virar para o turquesa. Pensei: é incrível o que os olhos podem dizer de uma pessoa. E é verdade, naquele instante vi nos teus olhos aquilo que tinha demorado anos a decifrar. Tudo se concentrava neles: a tua beleza, a tua personalidade forte, as tuas manias. Naquele momento só conseguia pensar numa coisa: faz amor comigo. E assim foi, ao som daquela música, que eu considerava nossa, não por ser a única que passava naquele quarto, mas por descrever exactamente aquilo que éramos. Fizemos amor como loucos que éramos um pelo outro, até ao amanhecer. 7:00 apontava o relógio quando finalmente fui vestir a tua camisa amarrotada e fazer café para repormos as energias. Entretanto a música ainda tocava, e por mais estranho que pareça, não me fartava dela, mesmo depois de a ter ouvido a noite toda. Durante toda a madrugada não trocámos uma palavra, apenas olhares. Era como se os nossos olhos falassem. Sempre tive a mania de te olhar nos olhos durante o sexo, afinal era o nosso auge e gostava de achar que nesses momentos o teu coração tinha um orgasmo de amor, coisa que se transmitia nos teus olhos. Afinal tudo de ti está nessas duas bolas estranhas a que chamam de olhos. No dia em que te conheci imaginei como teria sido a minha vida se te tivesse conhecido há mais tempo e pensei, com uma estranha raiva de mim, no que tinha andado a perder todo aquele tempo. Sim, és desse tipo de pessoas, daquelas que nos faz questionar o que temos andado a fazer da nossa vida até então. 

get out


Se pudesse arrancava esta pele, toda ela cheia de marcas daquilo que fomos e passámos. Arrancava-a na esperança que esta memória carnal que tenho das tuas mãos desaparecesse, ou pelo menos aliviasse. Porque queima, arde, perturba. Estás tão profundamente marcado, no meu peito, em toda a minha pele, cheia de marcas, feitas com o propósito, ainda que falhado, de te tirar de mim. Pensei que se me livrasse desta parte superficial me livraria tambem de ti, mas não. Não é só na minha pele que estás marcado. Penetraste a minha alma assim como a minha pele. Carregas-te o meu coração de sentimentos assim como carreguei a minha pele de cicatrizes na tentativa de te deixar sair. Se pudesse apagava da minha memória toda e qualquer coisa que me leva de volta a ti e a todos aqueles dias em que o mundo era nosso, se pudesse voltava atrás. Mas não posso, e como não posso vou continuar iludida com a ideia de que um dia saíras de mim.



Quero escrever sobre ti, sem medos. Dizer-lhes que és a voz que mais gosto de ouvir, a única de que não me canso. Gritar que nunca conheci a...