quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Mãos geladas como o coração, ou como o que resta dele.
E é pouco o que resta, porque todo ele era teu, e de ti já não oiço sequer falar. 
Qualquer emoção ou sentimento.
Deixaram de existir, acabou.
Sinto-me como um cadaver que anda só por andar. Perdi-te e perdi-me. Será? Não. Perdi-te e conheci-me.
Agora conheço-me, sei quem sou;
Não gosto do que sou, tudo era mais bonito quando ainda estavas aqui. Bonito, tragico. Aquele bonito que não se esquece de tão tragico que foi.
Agora sou apenas eu, nada de novo, ou talvez uma completa novidade.
Nunca mais me vou apaixonar.
Nunca mais me vou.
Nunca mais.
Nunca.

sábado, 13 de setembro de 2014


Caímos no chão, cansados de dançar ao som daquela música que ouvimos vezes e vezes sem conta apenas porque sim. Ao cair, caíste ao meu lado e reparei pela primeira vez no quão bonitos e profundos são os teus olhos, verdes quase azuis, a virar para o turquesa. Pensei: é incrível o que os olhos podem dizer de uma pessoa. E é verdade, naquele instante vi nos teus olhos aquilo que tinha demorado anos a decifrar. Tudo se concentrava neles: a tua beleza, a tua personalidade forte, as tuas manias. Naquele momento só conseguia pensar numa coisa: faz amor comigo. E assim foi, ao som daquela música, que eu considerava nossa, não por ser a única que passava naquele quarto, mas por descrever exactamente aquilo que éramos. Fizemos amor como loucos que éramos um pelo outro, até ao amanhecer. 7:00 apontava o relógio quando finalmente fui vestir a tua camisa amarrotada e fazer café para repormos as energias. Entretanto a música ainda tocava, e por mais estranho que pareça, não me fartava dela, mesmo depois de a ter ouvido a noite toda. Durante toda a madrugada não trocámos uma palavra, apenas olhares. Era como se os nossos olhos falassem. Sempre tive a mania de te olhar nos olhos durante o sexo, afinal era o nosso auge e gostava de achar que nesses momentos o teu coração tinha um orgasmo de amor, coisa que se transmitia nos teus olhos. Afinal tudo de ti está nessas duas bolas estranhas a que chamam de olhos. No dia em que te conheci imaginei como teria sido a minha vida se te tivesse conhecido há mais tempo e pensei, com uma estranha raiva de mim, no que tinha andado a perder todo aquele tempo. Sim, és desse tipo de pessoas, daquelas que nos faz questionar o que temos andado a fazer da nossa vida até então. 

get out


Se pudesse arrancava esta pele, toda ela cheia de marcas daquilo que fomos e passámos. Arrancava-a na esperança que esta memória carnal que tenho das tuas mãos desaparecesse, ou pelo menos aliviasse. Porque queima, arde, perturba. Estás tão profundamente marcado, no meu peito, em toda a minha pele, cheia de marcas, feitas com o propósito, ainda que falhado, de te tirar de mim. Pensei que se me livrasse desta parte superficial me livraria tambem de ti, mas não. Não é só na minha pele que estás marcado. Penetraste a minha alma assim como a minha pele. Carregas-te o meu coração de sentimentos assim como carreguei a minha pele de cicatrizes na tentativa de te deixar sair. Se pudesse apagava da minha memória toda e qualquer coisa que me leva de volta a ti e a todos aqueles dias em que o mundo era nosso, se pudesse voltava atrás. Mas não posso, e como não posso vou continuar iludida com a ideia de que um dia saíras de mim.



terça-feira, 15 de abril de 2014

us

A culpa é das estrelas, que me levaram até ti
A culpa é do céu, por achar que pertencias a mim
Ou talvez a culpa seja só minha
Porque o destino não nos quis juntos

Naquelas noites frias
O meu coração ouvia-se em todo o mundo
O teu batia forte
Não hesitei por um segundo

Cobertos de suor
Para mim era amor
Os teus lábios no meu corpo
Disto só restou a minha dor

Deixei-me levar por ti
Não foi novidade
Era amor
O meu coração pertencia a ti


Quero escrever sobre ti, sem medos. Dizer-lhes que és a voz que mais gosto de ouvir, a única de que não me canso. Gritar que nunca conheci a...