sexta-feira, 19 de julho de 2013

"Nos teus olhos cor da madeira escura encontro um abismo. Encontro neles promessas de paixões por realizar, encontro neles promessas de felicidade por encontrar, encontro neles um mundo por descobrir.
Encontro neles a janela para a tua alma, e ainda assim manténs os teus olhos fechados para mim.
Nos teus olhos cor do carvalho velho e da cortiça antiga oiço palavras de amor nunca proferidas, oiço uma melodia quente e terna.
Esses olhos vêem-me realmente, e eu quero esconder-me de ti; é impossível, tu viste-me. Não me olhaste apenas, viste-me, conheces-me, sabes a matéria de que sou feita, e no entanto continuas a correr umas cortinas nos teus olhos, nas tuas janelas.
Deixas-me à beira da loucura com tantas palavras que os teus olhos dizem, entras na minha mente, apenas a recordação deles me faz andar à roda.
São duas janelas que me fazem sentir à beira de um precipício, olhas-me e desvias o olhar, entranhas-te de um modo suave e eficaz, deixas-me sem saber o que fazer.
Não.
Não quero mais este abismo para mim.
Fecho os meus próprios olhos para sair daqui, mas não consigo.
O teu olhar penetra a minha mente, persegue-me, não me deixa em paz, continua a empurrar-me para o desconhecido mesmo que eu tente fugir.
Tu não me deixas.
Prendeste-me a ti com duas amêndoas escuras, ternas e quentes.
Estou louca.
A cada passo que dou, sinto a tua presença, os teus olhos indagadores.
Eis que chego ao último centímetro de chão antes do precipício que leva ao desconhecido.
Quero fugir de ti, quero chegar a ti.
E a culpa é do teu olhar. Um olhar que fere, que magoa.
Fecho os meus olhos.
Inspiro fundo.
E dou mais um passo.
Caio neste abismo. 
O que me esperará no fim?"

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