sexta-feira, 7 de julho de 2017

Quero escrever sobre ti, sem medos. Dizer-lhes que és a voz que mais gosto de ouvir, a única de que não me canso. Gritar que nunca conheci alma tão pura, que logo no primeiro dia roubou um bocado da minha. A maneira como andas, sem ligares a nada do que está à tua volta. O mundo é teu e eu, tal como todos eles, sou escrava desse andar. Admito, podia olhar para ti um dia inteiro, esses olhos cor de madeira escura que me engolem sempre que passam pelos meus. Quero dar-te festinhas no cabelo até começares a acreditar que mereces muito mais do que aquilo que algum dia te deram. Envolver-te no meu casaco até que, pela primeira vez, te sintas amada. Dançar contigo até o sol nascer, olhos nos olhos, porque os teus são os meus favoritos.
Fazer-te sentir segura,  protegida contra este mundo e as pessoas que habitam nele, que tanto mal te fizeram.
Dizer-te que não faz mal sentires-te perdida, porque a vida é isso, correr até esbarrar em alguém que esteja tão perdido como tu.
Juntas isso não importa.
Talvez se acreditar com muita força, passe a ser real.

domingo, 14 de maio de 2017

this is not a love story

Eras tu.
Eras tu quando entraste, meio aos tropeções, no mesmo mundo que eu. Eras tu quando todos os dias me surpreendias mais um bocado, eras tu quando te sentavas num canto só contigo. Eras sempre tu, quando olhavas para mim. E quando eu olhava para ti, e ficávamos só assim, num espaço que transcendia qualquer limite fisico. Eras tu, emma, quando te rias na minha direção e eu baixava a cabeça, a sorrir só para mim, sem que ninguém me visse. Eras tu quando trocávamos segredos, quando sentia que já te conhecia de outra vida. Eras tu, emma,  e as piadas que eram só nossas. Era eu, que só te queria ver bem, como nunca estiveste.
Era eu, que te olhava e imaginava, quem me dera que estivesses feliz. Era eu quando te olhava pelo canto do olho, com medo que me apanhasses e descobrisses tudo o que me ia na cabeça. E eras tu quando, sem medos, olhavas, e me fazias perder o medo também. As tuas manias, que de repente já eram minhas também, a forma como mexias as mãos, tão frágeis e pequenas. Eram os desenhos no caderno, os pensamentos entornados no mesmo. Era ver-te chorar e chorar eu também, com medo.
Era querer abrigar-te no meu casaco.
És tu, emma, que não fazes ideia do quanto me preocupo, e do quanto te quero ver bem.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

furacão
tudo o que eu queria era acalmar esse vento
mas devia ter percebido, desde o inicio, que a natureza não se controla




terça-feira, 18 de abril de 2017

"Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei, que não se ama sozinho
Talvez devagarinho, possas voltar a aprender

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração, pode amar pelos dois"



terça-feira, 21 de março de 2017

15 de Março de 2017

















Vi a publicação e pensei: "Não acredito que vou perder isto". Mas logo de seguida lembrei-me do Miguel, que sempre alinha nas minhas loucuras e que, como eu, ficou com as lágrimas nos olhos quando viu o documentário. Pensei no Miguel e, ainda sem muita esperança, disse-lhe "Vão passar o documentário e vem cá a Pilar". "Vamos", disse ele, e fomos, 10 minutos depois estava eu a caminho de Lisboa, ainda sem muitas esperanças de ver a Pilar, ainda sem sequer me passar na cabeça aquilo que iria acontecer.
Passámos uma boa tarde, como sempre, sem ficarmos muito entusiasmados com o que ia acontecer, falámos, rimos, refletimos num qualquer assunto como já é costume nosso. E então entrámos na cinemateca, sentámo-nos e esperámos, agora já um tanto ansiosos, iamos ver José e Pilar no grande ecrã, melhor que isso, iamos ver Pilar, essa grande mulher. Entrámos no filme, como quem o viveu, como quem esteve lá, naquele momento estávamos. Naquele momento ele era José e eu era Pilar, ele era Pilar e eu era José. Naquele momento liguei-me mais um bocadinho a esse rapaz que estava ao meu lado, a viver aquilo comigo. Tanto que já vivi nele, com ele. Acabou o filme, lembro-me que não dissemos muitas palavras, o que é que se pode dizer de um filme daqueles, palavras nunca vão chegar. E então chegou Pilar, na sua beleza de quase 70 anos, cada vez mais bonita. Ali percebi o significado da mítica frase "Pilar, encontramo-nos noutro sitio". Tornou-se ainda mais bonita. A frase, e Pilar. E a história deles, diferente de todas, mais bonita de cada vez que visualizamos aquele documentário. Saímos da sala de cinema, ainda sem muitas palavras, e foi então que o Miguel disse "Vamos falar com a Pilar". Fomos, ele falou claro, eu apenas cuspi palavras secas e tremidas, ainda incrédula por estar diante daquela mulher, que foi mulher daquele homem. Aquela conversa guardo para mim, para ele, para me lembrar dela todos os dias.
Obrigada Miguel, por seres quem és, por me levares àquele que foi um dos momentos mais épicos da minha vida. Por me fazeres acreditar que o amor existe, não deixares que perca a esperança nele. Por todas as nossas conversas no escuro, em que nada importa além do eco das nossas vozes.
Obrigada Pilar, José, por esse papel tão importante nas nossas vidas.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

o conforto de te ver chegar, nesse andar desajeitado, ao mesmo espaço que eu
indiferente ao que se passa à tua volta, porque o mundo é teu
é como se tudo acontecesse ao teu ritmo
ritmo que me arrasta em direção a ele, a ti
quando danças o resto pára, e eu só me vejo em ti
existes num espaço diferente do meu,
por vezes consigo imagina-lo
quando com a tua maneira tão própria me falas sobre coisas
coisas, coisas, coisas
que nome horrivel para tudo aquilo que já me disseste






sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

procuro uma saída no quarto escuro que me rodeia, que me mantém presa
dentro de mim própria, os meus braços como cordas, mãos como algemas
a pior prisão é a que temos dentro de nós
que nos deixa a pensar torto por linhas ainda mais tortas
linhas que já estiveram tão direitas
é como chegar a casa e ela já não ser nossa
olhar para um rosto que sabemos de cor e ele já não ser igual
acho que é o ciclo da vida, onde tudo o que vem vai
e por vezes volta, por vezes não
e ainda pior que incerteza
é a certeza de saber que não
que não vem, que não é, e que nunca mais vai ser


Quero escrever sobre ti, sem medos. Dizer-lhes que és a voz que mais gosto de ouvir, a única de que não me canso. Gritar que nunca conheci a...