terça-feira, 21 de março de 2017
15 de Março de 2017
Vi a publicação e pensei: "Não acredito que vou perder isto". Mas logo de seguida lembrei-me do Miguel, que sempre alinha nas minhas loucuras e que, como eu, ficou com as lágrimas nos olhos quando viu o documentário. Pensei no Miguel e, ainda sem muita esperança, disse-lhe "Vão passar o documentário e vem cá a Pilar". "Vamos", disse ele, e fomos, 10 minutos depois estava eu a caminho de Lisboa, ainda sem muitas esperanças de ver a Pilar, ainda sem sequer me passar na cabeça aquilo que iria acontecer.
Passámos uma boa tarde, como sempre, sem ficarmos muito entusiasmados com o que ia acontecer, falámos, rimos, refletimos num qualquer assunto como já é costume nosso. E então entrámos na cinemateca, sentámo-nos e esperámos, agora já um tanto ansiosos, iamos ver José e Pilar no grande ecrã, melhor que isso, iamos ver Pilar, essa grande mulher. Entrámos no filme, como quem o viveu, como quem esteve lá, naquele momento estávamos. Naquele momento ele era José e eu era Pilar, ele era Pilar e eu era José. Naquele momento liguei-me mais um bocadinho a esse rapaz que estava ao meu lado, a viver aquilo comigo. Tanto que já vivi nele, com ele. Acabou o filme, lembro-me que não dissemos muitas palavras, o que é que se pode dizer de um filme daqueles, palavras nunca vão chegar. E então chegou Pilar, na sua beleza de quase 70 anos, cada vez mais bonita. Ali percebi o significado da mítica frase "Pilar, encontramo-nos noutro sitio". Tornou-se ainda mais bonita. A frase, e Pilar. E a história deles, diferente de todas, mais bonita de cada vez que visualizamos aquele documentário. Saímos da sala de cinema, ainda sem muitas palavras, e foi então que o Miguel disse "Vamos falar com a Pilar". Fomos, ele falou claro, eu apenas cuspi palavras secas e tremidas, ainda incrédula por estar diante daquela mulher, que foi mulher daquele homem. Aquela conversa guardo para mim, para ele, para me lembrar dela todos os dias.
Obrigada Miguel, por seres quem és, por me levares àquele que foi um dos momentos mais épicos da minha vida. Por me fazeres acreditar que o amor existe, não deixares que perca a esperança nele. Por todas as nossas conversas no escuro, em que nada importa além do eco das nossas vozes.
Obrigada Pilar, José, por esse papel tão importante nas nossas vidas.
Subscrever:
Comentários (Atom)
Quero escrever sobre ti, sem medos. Dizer-lhes que és a voz que mais gosto de ouvir, a única de que não me canso. Gritar que nunca conheci a...
-
A culpa é das estrelas, que me levaram até ti A culpa é do céu, por achar que pertencias a mim Ou talvez a culpa seja só minha Porque o d...
-
Canta-me Canta para mim até que desapareça Até que toda esta dor saia Canta até que adormeça, nos teus braços Mundos paralelos,...
-
Quero saber o que é isso. Quero saber o que é isso que escondes nesse mar que são os teus olhos, turquesas à luz do sol. Quero que me contes...

