sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

No outro dia estava a passear pelo jardim e reparei em ti; cabelos loiros e despenteados, sorriso torto e um tanto desnorteado. Pensei: que estarás tu aqui a fazer? Tão sossegado no teu canto, nem um livro, nem mesmo o tão 'indispensável' telemovel. Tão perdido nos teus pensamentos, tão bonito, pensei eu, tão inocente. Mas de inocente não tinhas nada, via-se nos teus olhos, na tua expressão cansada, tinhas anos de sofrimento em cima. Quis logo reconfortar-te, deitar a cabeça no teu ombro e assegurar-te de que iria ficar tudo bem. Mas não, nunca teria a coragem de fazer tal coisa, como podia eu prometer algo assim a alguém que acabara de conhecer? Era injusto, e acima de tudo egoísta. Mas era tanta a vontade de te livrar de todo aquele sofrimento que carregavas contigo, era tanta a vontade de pegar na tua mão e levar-te a lugares tão bonitos capazes de te fazer esquecer de tudo o resto. Foram os teus olhos azuis que me fizeram ir na tua direção e finalmente falar contigo. Sorriste, sorriste-me tanto e tão sinceramente, o céu caiu-me em cima e o mar subiu à terra, e eu sorri também. Perguntei o que estavas ali a fazer, tão sereno, e apesar de não ser essa a pergunta que eu queria realmente fazer, deste-me a resposta que mais queria ouvir: vamos sair daqui.


sábado, 10 de janeiro de 2015


Então que o céu se mantenha azul enquanto cá estou, porque o que é pode ser mais puro que aquele azul que me encandeia os olhos de tão brilhante e bonito que é? O que é que pode ser mais grandioso que aquele azul profundo, capaz de me fazer sentir como um pequeno nada, um pequeno nada maior que qualquer outro ser neste mundo. Então que se mantenha tão clara a Lua, não há nada mais acolhedor que ela, minha companheira das noites longas em que tão sozinha me sinto. E o sol, o sol que continue a brilhar tão forte como tem  brilhado até hoje, que me continue a aquecer naqueles dias em que nem um abraço me aquece.

Quero escrever sobre ti, sem medos. Dizer-lhes que és a voz que mais gosto de ouvir, a única de que não me canso. Gritar que nunca conheci a...